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Abuso infantil

 

Psicologo no atendimento do abuso infantil

Sequelas

Problemas sociais e de relacionamento com pessoas do mesmo sexo do abusador, algumas vezes sequelas psiquiátricas são observadas, problemas de comportamento, como agressão ou comportamento indevidamente sexualizado, abuso de substancias, disfunção sexual na idade adulta, depressão, etc.

Medos

Já atendi a pessoas que apresentavam medos, aparentemente, infundados. Como inicialmente não apresenta correlação aparente com abusos na infância o caminho tornou-se um pouco mais longo, mas identificar a origem dos medos pode ajudar, em alguns casos, no tratamento desta pessoa.

Auto Culpa

Pensamento de auto-responsabilidade são muito comuns. Algumas crianças sentem que participaram de alguma forma se oferecendo para que o abuso pudesse acontecer, e por isso nem sempre denunciam o abusador. Mesmo quando adultas podem manter sentimentos de ser diferente dos outros, tem menos confiança interpessoal, manter a crença de que o mundo é um lugar perigoso, visão negativa da sexualidade e imagem corporal negativa.

O abusador é sempre alguém próximo à criança?

Nem sempre, já recebi relatos de pessoas que foram abusadas por estranhos que passavam pela rua, foram embora e nunca mais foram vistos. Mas, pelos muitos relatos que recebo em minha clínica é muito mais comum uma pessoa próxima aparecer como o abusador e nestes casos os sintomas podem ser mais graves devido, principalmente, à freqüência com que o abuso se repetiu.

A criança percebe que isso é errado?

Nem sempre. No caso do abuso sexual o corpo reage ao estímulo, a criança muitas vezes procura, inocentemente aquele prazer, que num primeiro momento parece adequado pois esta sendo oferecido por alguém a quem deveria confiar.

Normalmente a pessoa só se dá conta de que aquilo foi um ato agressivo depois que recebe as informações do ambiente e descobre o porque dela se sentir tão mal e desconfortável com o abuso. Pois até então seu sentimento era de confusão.

Porque os abusadores fazem isso?

Muitas vezes devido a disfunções comportamentais e emocionais principalmente no campo da sexualidade. Podem ser pessoas com forte deficiência de empatia, incapazes de perceber o quanto está prejudicando outra pessoa. Muitas vezes eles tem pensamentos distorcidos de que a criança está "querendo".

O que fazer quando a mãe, ou alguém, desconfia de sua criança estar sendo abusada?

Eu recomendo, observar e sentir o momento de conversar com essa criança. Validar seus sentimentos, faze-la sentir-se segura para contar o que está acontecendo. Não considero interessante perguntas para que ela responda apenas SIM ou NÂO, pois isso pode implantar memórias falsas, pode induzir imagens mentais de situações que não ocorreram e fazer com que a criança acredite que vivenciou estas cenas.

Fonte: Frank M. Dattilio Arthur Freeman e colaboradores - Estratégias Cognitivo comportamentais de intervenção em situações de crise.

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Entrevista cedida para o Centro Universitário Monte Serrat - Santos

Abuso sexual infantil

Como e por que ocorre o abuso sexual?

Percebi que o abuso sexual ocorre em maior quantidade dentro das famílias. Acredito que isso se deve a um conceito, errado, de propriedade da criança. Este homem crê que como seu cuidador e provedor teria “direitos” que vão além da promoção do bem estar emocional da criança.

Em que classes sociais esses casos de abuso sexual mais ocorrem no Brasil?

Em todos. Mas me parece que as classes mais altas procuram mais ajuda nos psicólogos, talvez o próprio poder aquisitivo favoreça.

Como funciona o sentimento de Auto Culpa da vítima

No momento do abuso é possível que a criança não tenha noção do que está acontecendo, pois sempre houve adultos tocando suas partes intimas na hora da troca da fralda ou banho. Para criança tudo pode ser desprovido de maldade e talvez demore para ela perceber intenções maliciosas que diferenciam o toque carinhoso da mãe que cuida de sua higiene. A culpa costuma ocorrer mais tarde quando ela percebe, por informações recebidas em sua educação, do que seria um toque correto e do que não deve ocorrer, passando então a lembrar de seu comportamento passivo e por isso se considera causadora ou participante ativa do abuso – e com isso pode surgir a culpa.

Quando os pais e/ou familiares próximos á vítima, não acreditam nas queixas

O que é considerado negligência “familiar” nos casos de abuso

- não levar em consideração medos sem explicação que as crianças demostram diante de algum adulto

- encobrir o ocorrido por medo da reação das pessoas

- encobrir por vergonha de levar a publico o tipo de pessoa que frequentou sua casa.

- não acreditar, e não investigar, quando a criança conta o que ocorreu

- considerar que a criança “se insinuou” para o adulto, culpando-a.

Pode-se afirmar que há também uma negligência por parte do Estado?

Não conheço as ações do Estado. Não tenho muito conhecimento do quanto este assunto é levado a serio quando denunciado nas delegacias. Talvez devesse haver mais companhas para orientar as famílias no sentido de prevenção e como agir em casos de abuso.

Com sua experiência e conhecimentos á frente de serviços psicológicos, deve ter muitos casos que lhe marcaram de alguma forma. Quais aqueles que mais lhe impressionaram, e como lidou com a situação?

Não há nenhum em especial mas sempre me fez pensar o fato de que como psicóloga fui muitas vezes a primeira pessoa a saber do ocorrido e até mesmo a única.

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