Como a psicologia pode ajudar a lidar com a dor da perda?

O tempo, estilos de enfrentamento da dor da perda, bem como contexto social e personalidade do enlutado podem facilitar ou dificultar o processo do luto e a superação da dor da perda de alguém querido.

Reações exageradas, retardadas, prolongadas e negacionistas podem ser fatores de complicação para lidar com a dor da perda.

Qual é a dor da perda?

O luto não está relacionado exclusivamente a perda de uma pessoa próxima, também pode ocorrer por conta de um grave acidente que deixa alguma marca no corpo, às vezes trazendo uma dificuldade de locomoção, por exemplo.

A dor da perda pode estar relacionada a demissão de um emprego ou término de um relacionamento amoroso.

A perda está relacionada a transformação, algumas vezes traumática, que ocorre em nossas vidas e temos de nos adaptar a ela.

Porém, vamos nos ater ao evento da morte de uma pessoa querida em nosso texto.

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Dor da perda e depressão

O luto pode se tornar uma depressão dependendo de como a pessoa lida com a dor da perda.

Pensando nas tarefas enumeradas por Worden podemos dizer que a primordial delas é encarar a perda, afirmar para si o fato objetivo de que tal pessoa já não está mais presente.

Um luto prolongado ou a dificuldade em aceitar a perda, ou mesmo conseguir dar um sentido àquela morte pode gerar sintomas crônicos de ansiedade e tristeza que podem levar a uma depressão.

Sentir-se forte o bastante para realizar as tarefas necessárias para construir uma perspectiva saudável sem a pessoa querida é muito importante.

A dor da perda do futuro

Por que a perda dói tanto?

A dor da perda pode ser mais pungente se as expectativas com aquele relacionamento perdido eram muito presentes, ou muito fortes.

Por exemplo, perder uma mãe ou um pai com quem se mantinha um relacionamento difícil, talvez abusivo em algum momento, e se esperava que essa pessoa algum dia promovesse uma reconciliação ou uma relação mais positivamente afetuosa, pode causar uma “dupla perda”.

Essa dor da perda do futuro também pode ser sentida em casos em que havia uma projeção de continuidade de coisas boas que se vivenciavam com o outro.

Os relacionamentos altamente dependentes também apresentam dificuldades para o processo de luto.

A maioria das pessoas que perdeu alguém significativo sentirá algum grau de abandono e perceberá algum desamparo.

Esse desamparo, contudo, não tem a qualidade de desespero presente na vida de alguém que vivia um relacionamento altamente dependente.

É preciso levar esses e outros fatores pessoais para pensarmos no peso e profundidade da dor da perda para alguém.

Algumas pessoas possuem e conseguem manter uma autoimagem mais positiva apesar do outro que se foi, enquanto outras se sentem perdidas sem aquele que era seu lastro no mundo.

Como superar a dor da perda?

A dor da perda costuma mudar em intensidade conforme o passar do tempo. É claro que há pessoas que precisam de ajuda externa para superar o luto e não adoecerem.

Inicialmente a dor da perda pode se expressar nitidamente em sensações de aperto ou sufoco no peito e/ou garganta, uma vontade de chorar que aparece sem motivo aparente ou outras manifestações.

Com o passar do tempo falar sobre a pessoa falecida, ou assuntos relacionados a ela passam a doer menos.

Mas isso depende do trabalho de luto que está sendo feito para lidar com essa dor da perda.

Dar um sentido à sua perda é uma das ações que podem ajudar a superar o luto.

Muitas vezes quando uma pessoa querida morre nos perguntamos entre outras coisas: como Deus pode permitir que aquela pessoa tão valorosa e necessária possa morrer?

Será que há justiça nesse mundo ou em outro?

Por que não fui eu a morrer ao invés dela?

Para responder a essas e outras questões e nos confortar de alguma maneira podemos contar com ajuda profissional.

Inicialmente teorias de enfrentamento ou compreensão do luto como as fases do luto de Kubler-Ross ou as tarefas do luto de Worden podem nos ajudar a dar um sentido a essa dor da perda.

Psicologia para superar a dor da perda

A psicologia pode ajudar a lidar com a dor da perda na medida em que traz à luz aspectos do relacionamento perdido que não eram tão nítidos ou mesmo aqueles que estavam no primeiro plano.

O sentido do trabalho da psicologia pode ser voltado a contar a história dessa perda, seu impacto para a pessoa que ficou, “aquela que não morreu”, e como essa perda não é total, necessariamente.

Em nossas vidas todas as nossas interações nos marcam de alguma maneira- certamente algumas mais do que outras- mas podemos ver ecos desses encontros em nossas ações, desejos, e em nossa identidade individual que foi construída também a partir desses encontros.

Geralmente esse trabalho de reconstrução a partir da dor da perda acontece no processo de psicoterapia.

O trabalho do luto não possui fases lineares nem linha de chegada universal. O objetivo pode ser continuar caminhando em frente contando com recursos próprios- e que às vezes até ignoramos.

Psicoterapia para dor da perda

A psicologia oferece recursos terapêuticos através de diferentes psicoterapias que podem ajudar a pessoa a reencontrar um sentido pessoal na vida apesar da dor da perda de alguém especial.

A terapia cognitiva comportamental (TCC) pode trabalhar crenças e pensamentos negativos que podem invadir a consciência e ocasionar comportamentos disruptivos na vida da pessoa enlutada.

Enquanto a psicanálise ou outra abordagem psicodinâmica pode aprofundar significados e projeções da pessoa falecida na vida consciente e presente do enlutado, revelando vínculos inesperados e ajudando a construção de novos significados.

Outras abordagens também atuam com perspectivas mais breves de intervenção, como o aconselhamento do luto e a intervenção breve, propriamente dita.

Qualquer que seja a opção que um psicólogo oferecer saiba que ela é validada cientificamente e tem uma história de sucesso naquela perspectiva de atuação.

Busque ajuda para curar a dor da perda

Como vimos, a dor da perda pode se manifestar de diferentes maneiras, tanto dentro quanto fora de nós.

E muitas vezes podemos fraquejar diante de um futuro que parece opaco sem a pessoa querida.

Precisamos nos reencontrar e nos fortalecermos para contar uma nova história. A psicologia pode nos ajudar nessa caminhada.

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Referência Worden, J. William. Aconselhamento do Luto e Terapia do Luto: um manual para profissionais da saúde mental. [tradução Adriana Zilberman, Leticia Bertuzzi, Susie Smidt]. São Paulo : Roca, 2013.

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